22:11:2015

Não sei ao certo como escrever isto, de que me servem as palavras se estas desaparecem-me por entre os dedos mal eu as termine de escrever. Há lutas e sentimentos que de pouco valem se não forem partilhados, mas também há aqueles que o são e, no entanto, o vazio consegue, mesmo assim, preencher-nos. A nós e a eles. É uma sombra que, pouco antes de se por o sol, se alonga entre um eu e um tu. Alongados deitamo-nos sobre a terra, eternos na sua imensidão. E, no entanto, não passamos de sombras, se nos tentarem apanhar escaparemos ao vosso abraço. Paralelos seguimos, esticados até ao infinito, esse horizonte que nunca chega, até o mundo ser também ele tomado pela sombra. E tudo será sombra. E não haverá diferença alguma entre a minha e a tua. Não haverá diferença nem nada que nos distinga. E então pergunto: o que me distingue agora? Que é como quem diz: que diferença faço agora? E a única resposta que me surge é um absoluto ponto final

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About Pedro José

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